A Teologia da Prosperidade
7 de julho de 2022
A Teologia da Prosperidade enfatiza tão-somente as bênçãos materiais ou físicas, ignorando as bênçãos espirituais. Para resumir, essa teologia diz que
O crente verdadeiro não pode ser pobre ou doente, e que, se ele se encontra em uma dessas duas situações, é porque não tem fé ou não sabe fazer uso do “poder” da fé.
A Bíblia, porém, apresenta muitos exemplos de crentes que foram pobres, e crentes de verdade! Veja só:
a viúva de Sarepta, que não tinha quase nada para comer e que, mesmo assim, ainda repartiu o que tinha com o profeta Elias (1 Rs 17.8-15);
a maioria dos profetas de Deus no Velho Testamento, os quais tinham um modo de vida bastante difícil ou simples para os nossos padrões, e nunca reclamaram por tal situação (1 Rs 17.1-7 cf. 19.5, 6; 2 Rs 4.8 cf. 5.15, 16; Ez 1.1; 4.10-12; Am 1.1);
o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o qual disse que não tinha onde reclinar a cabeça (Mt 8.19, 20);
os apóstolos, que na sua maioria eram pescadores (Mt 4.18-22 cf. At 3.1-6);
o apóstolo Paulo, que tinha praticamente tudo antes de sua conversão, mas que perdeu o que tinha depois que se tornou um crente. Inclusive ele chega a dizer que passou fome e nudez (Fp 3.8; 4.12, 13 cf. 2 Co 11.23-28, especialmente o verso 27).
Com respeito às doenças, há também muitos exemplos de crentes verdadeiros que foram pessoas doentes:
o profeta Eliseu, que morreu por causa de uma doença (2 Rs 13.14, 20a);
de novo o apóstolo Paulo, que diz claramente ter tido uma “enfermidade na carne” (Gl 4.13, 14);
e Timóteo, discípulo de Paulo, que tinha problemas estomacais e frequentes enfermidades (1 Tm 5.23).
O que temos de entender, diante disso tudo, é que não é da vontade de Deus que todos os crentes sejam ricos. Se fosse, todos seriam, pois ninguém pode frustrar os planos divinos (Jó 42.1, 2).
Deus sabe que aquelas pessoas que querem ficar ricas caem em tentação e cilada, e que alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé (1 Tm 6.9, 10).
Posso dizer o mesmo das doenças. Se fosse da vontade de Deus que todos os crentes tivessem saúde perfeita nesta vida, todos teriam. Porém, enquanto estivermos vivendo neste mundo, estaremos sujeitos a problemas comuns a todos os seres humanos, como falta de dinheiro, doenças e morte física. Lembre-se das palavras de Jesus: “No mundo, passais por aflições…” (Jo 16.33). Enquanto vivermos neste mundo, alguns serão curados, outros não, sempre de acordo com a vontade e o propósito soberano do nosso Deus.
Cabe, a essa altura, alguns esclarecimentos:
1) Deus não é contra prosperidade ou riqueza material, caso contrário não haveria crentes ricos na Bíblia, como Abraão, Salomão e Jó. Deus é contra o amor a essas coisas, e isso acontece quando passamos a considerá-las como mais importantes do que as coisas espirituais e quando vivemos em função de obter dinheiro (1 Tm 6.9, 10; Mt 6.19-21, 24; Ec 5.10);
2) Prosperidade financeira não é sinônimo de espiritualidade, pois há muitos ímpios e ateus que são ricos; da mesma forma, pobreza não é sinônimo de espiritualidade, pois há muito pobre que não presta e não tem qualquer compromisso com Deus. Logo, não se sabe a espiritualidade de ninguém por causa de sua condição financeira;
Na Bíblia, próspero é aquele que tem consciência de que foi predestinado para a glória de Deus (Ef 1.5 e 6, 11 e 12) e que vive a age para que isso seja uma realidade.
Aprenda isto: a prosperidade terrena fica no pó da terra, ao contrário do que criam os faraós do Egito; a prosperidade espiritual, porém, é eterna (Ap 14.13).
Presbítero Kleber Cavalcante




