{"id":1467,"date":"2020-09-16T00:55:07","date_gmt":"2020-09-16T03:55:07","guid":{"rendered":"https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/?p=1467"},"modified":"2020-09-16T01:50:36","modified_gmt":"2020-09-16T04:50:36","slug":"entre-muitos-questionamentos-quem-seria-o-culpado-voce-e-o-juiz-voce-decide","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/index.php\/2020\/09\/16\/entre-muitos-questionamentos-quem-seria-o-culpado-voce-e-o-juiz-voce-decide\/","title":{"rendered":"Entre muitos questionamentos, quem seria o culpado? Voc\u00ea \u00e9 o juiz, voc\u00ea decide!"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-left is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><em><strong>\u201cBem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia\u201d<\/strong><\/em><\/p><cite><em><strong>Mateus 5:7<\/strong><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, de quem \u00e9 a culpa? Do procurador, do juiz ou do presidente? Recentemente, tivemos a not\u00edcia de que um procurador da Rep\u00fablica \u2013 chefe de uma opera\u00e7\u00e3o que surgiu com intuito de, com rapidez, eliminar muitas pessoas que estavam promovendo desvios a seu bel prazer, e tratando o Pa\u00eds de maneira perniciosa \u2013 pediu demiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 para constar, no relato que se segue, n\u00e3o trato de pol\u00edtica nem de qualquer pensamento partid\u00e1rio, mas sim, de atitudes. Pois bem, em suas decis\u00f5es, o procurador, por certo, vivenciou as mais variadas controv\u00e9rsias, visto que, algumas pessoas, que podem muito bem ver e ou analisar suas tratativas, poderiam consider\u00e1-las como desonestas. Entretanto, para outras, tais a\u00e7\u00f5es poderiam muito bem parecerem corretas. Uma decis\u00e3o, <em>a priori<\/em>, e em que pese suas consequ\u00eancias, deve prioritariamente ser imparcial e pautada em princ\u00edpios, quais sejam, os que melhor classificam a \u00edndole de quem tem o poder de decidir. Creio, e quero realmente acreditar que esse procurador tenha, em todas, feito o seu melhor. Isso, claro, se essas decis\u00f5es foram pensadas no bem comum. Se ele pensou no povo e no Pa\u00eds, deve ter realizado o que de melhor poderia ter feito para os menos favorecidos. Em sua decis\u00e3o de deixar o cargo, que por m\u00e9ritos pr\u00f3prios o conseguiu, as causas que lhe foram impostas devem ter sido penosas. Seria ele, ou poderia ser ele condenado por deixar t\u00e3o importante miss\u00e3o? \u00c9 correta essa atitude? Condenar\u00edamos ou absolver\u00edamos?<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"has-inline-color has-very-dark-gray-color\"><a>Segue que, em meio a tantas decis\u00f5es, envolto a infinitos processos, creio eu, serem dif\u00edceis uns e outros casos. Podemos, por isso, absolv\u00ea-lo? Ou, quem sabe, talvez queiramos condenar os ju\u00edzes? E<\/a>s<\/span>tes, \u00e0 sua maneira, sejam de formas inescrupulosas ou n\u00e3o, \u201cfor\u00e7aram a barra\u201d para um fim inesperado? Como vemos nossos ju\u00edzes ou a at\u00e9 mesmo a Corte Maior deste pa\u00eds? Temos um juizado confi\u00e1vel? Pois bem, \u00e9 bom que se diga que n\u00e3o sou perito em leis; sigo o que grandes comentaristas apartid\u00e1rios t\u00eam falado do nosso judici\u00e1rio. Sou da opini\u00e3o de que, em meio ao quase caos institucionalizado pela covid-19, os nossos ju\u00edzes extrapolaram suas \u00e1reas de responsabilidades e interferiram em quest\u00f5es administrativas sem que muitos tenham de fato conhecimento destas \u00e1reas com mais profundidade. De lei, sei que entendem, ou mesmo deveriam entender, mas n\u00e3o vejo nenhum juiz ir a uma comunidade para saber de sua realidade <em>in loco,<\/em> ou seja, conhecer a real necessidade e o desejo dos que vivem \u00e0 margem do m\u00ednimo social, que trabalham e precisam sobreviver. Por vezes, sempre queremos encontrar um culpado e, nesse caso, podemos, por que n\u00e3o, colocar a culpa no juiz.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, alguns podem achar que suas interfer\u00eancias foram corretas. Aqui tamb\u00e9m tenho a minha opini\u00e3o, e acredito, e quero realmente acreditar que, para eles, em suas consci\u00eancias, tenham feito o seu melhor e, como no caso anterior, o do procurador, devem sim, ter pensando no bem comum. Se pensaram no povo e no Pa\u00eds, devem ter realizado o que de melhor poderiam fazer, visto que julgaram ser competentes para t\u00e3o importante decis\u00e3o. Se, no entanto, for\u00e7aram a barra, de um lado ou de outro, e se fizeram ou agiram para que pessoas deixassem seus cargos ou at\u00e9 mesmo fossem condenados, ser\u00e1 que suas consci\u00eancias est\u00e3o tranquilas? Assim, poderia ele ou eles serem condenados por t\u00e3o importante interfer\u00eancia? \u00c9 correta essa atitude? Condenar\u00edamos ou absolver\u00edamos?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a coisa n\u00e3o para aqui. Em meio a tantos posicionamentos e decis\u00f5es dif\u00edceis, e n\u00e3o menos importantes, podemos, ou talvez queiramos condenar o presidente. Esse homem tem culpa? Bem, a grosso modo, ele tem um \u201cpoder\u201d diferenciado, almejado, cobi\u00e7ado e por a\u00ed vai. Ah, sim, ele possui o poder de veto e de um espa\u00e7o diferenciado nas mais diversas m\u00eddias; sua imagem fala aos seus seguidores o que suas \u201cvontades\u201d querem refletir. Sendo assim, teria ele, em suas atitudes, tomado a melhor decis\u00e3o quanto a tudo que o envolve? Ser\u00e1 que interferiu junto aos ju\u00edzes para que exercesse uma \u201cpress\u00e3o\u201d a fim de que o procurador \u201cpedisse as contas\u201d? E nas demais decis\u00f5es, acertou? \u00c9 pandemia, \u00e9 economia, \u00e9 uma corrup\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cessa, mesmo diante de tantos que j\u00e1 \u201cpagam\u201d por esses erros. Seria mais f\u00e1cil deixar as coisas como estavam ou seria melhor uma mudan\u00e7a \u201cradical\u201d, como alguns sugerem? Sempre, nesse contexto, lembre se: voc\u00ea \u00e9 o juiz. Como \u00e9 dif\u00edcil agradar, ou seria melhor dizer, como \u00e9 f\u00e1cil desagradar. A prop\u00f3sito, o que vejo \u00e9 que, em qualquer regime, teremos pessoas satisfeitas e insatisfeitas.<\/p>\n\n\n\n<p>Defender e aceitar decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o atitudes simples de se tomar. Em meio a erros e acertos, tanto estes como aqueles, penso eu, em suas atitudes e decis\u00f5es, devem pensar em alcan\u00e7ar uma maioria saud\u00e1vel e o bem comum. Hum, isso \u00e9 interessante. Precisamos, ent\u00e3o, puxar a sardinha para o nosso anzol e perguntar: qual seria a atitude crist\u00e3 correta diante do erro, diante do culpado, diante do inocente? Como \u00e9 dif\u00edcil ser crist\u00e3o em um mundo ca\u00eddo, dominado por pessoas cheias de si mesmas, em meio \u00e0 \u201cbabel social\u201d e a tantas pecaminosidades. Quero crer que n\u00f3s, \u201cos crist\u00e3os\u201d, queremos sempre acertar. Assim pensamos para que o erro n\u00e3o se sustente, para que o culpado entenda que a falta cometida certamente ter\u00e1 sua consequ\u00eancia, e, acima de tudo, para que o inocente n\u00e3o seja condenado. Por que ser\u00e1 que n\u00f3s como crist\u00e3os, \u00e0s vezes, n\u00e3o nos permitimos essa miss\u00e3o? Seria ela entediante ou \u00e9 por omiss\u00e3o mesmo? Seria pecado n\u00e3o querer se manifestar em meio aos que podem fazer mal a inocentes?<\/p>\n\n\n\n<p>Vejo muito penoso para algu\u00e9m com tanta responsabilidade tomar decis\u00f5es que, a seus olhos, possam parecer corretas. No entanto, pense, para o presidente, para o juiz, ou para o procurador suas decis\u00f5es podem parecer corretas. Acredito, e sem demagogia, quero crer que eles queiram ou estejam a fazer o seu melhor. E tenho me colocado em ora\u00e7\u00e3o para que eles, em suas posi\u00e7\u00f5es, sempre que tiverem que obrigatoriamente tomar uma decis\u00e3o importante, pensem no bem comum. Que pensem e n\u00e3o desprezem o povo carente e os mais necessitados, e que visem uma melhora para os menos favorecidos. Se assim sempre fosse, creio eu, como seria diferente. Mas seria mesmo? Desejo desde sempre que nunca pensem em interesses escusos e que Deus os ajude nas suas decis\u00f5es e que eles n\u00e3o fa\u00e7am do cargo ou do poder que possuem um lugar de proveito pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de Deus, e tamb\u00e9m no nosso meio, sabemos que muitos j\u00e1 os condenaram. E, certamente, alguns j\u00e1 os absolveram. Deveria o presidente ser condenado por ser e fazer como tem feito? Deveria o senhor juiz ser criticado por suas decis\u00f5es? Deveria o procurador deixar o cargo como o fez? S\u00e3o corretas as suas a\u00e7\u00f5es? Condenar\u00edamos ou absolver\u00edamos estes em suas atitudes? Como reagiria uma pessoa que est\u00e1 diretamente envolvido ou supostamente envolvido com a possibilidade de condenar algu\u00e9m? Com o martelo na m\u00e3o, em nossa senten\u00e7a derradeira, condenar\u00edamos quem: o juiz, o presidente ou o procurador?<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida, certamente, nos encontramos em meio a muitas quest\u00f5es que nos fazem pensar, refletir com profundidade e julgar. E como s\u00e3o dif\u00edceis os julgamentos. Mesmo quando nos debru\u00e7amos sobre a quest\u00e3o e refletimos bastante sobre ela, vemos como \u00e9 dif\u00edcil julgar. Por isso, o meu registro de como \u00e9 dif\u00edcil um pecador condenar outro pecador; como \u00e9 dif\u00edcil errar e comentar sobre os pr\u00f3prios erros. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil lidar com os que apontam nossos erros. \u00c9 muito mais simples, penso, apontar os outros em seus erros e menos complicado lidar com os erros alheios. Tamb\u00e9m vejo que \u00e9 muito f\u00e1cil, menos complicado e mais simples condenar algu\u00e9m quando se tem uma lei, quando se joga sobre a lei, em suas letras, muitas vezes fria, a culpa do pecador. Mas ser\u00e1 que todos os que julgam s\u00e3o pessoas capazes e que tratam com as causas alheias com lisuras? S\u00e3o elas livres de qualquer arbitrariedade para poder condenar? Seria o juiz imparcial? N\u00e3o \u00e9 o presidente interesseiro? N\u00e3o \u00e9 o procurador ingrato? Qual \u00e9 a melhor decis\u00e3o a se tomar diante da lei que nos define como pessoas e cidad\u00e3os?<\/p>\n\n\n\n<p>Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a lei que, segundo seus princ\u00edpios e moralidades, nos momentos dif\u00edceis e circunstanciais que a vida nos oferece, e tamb\u00e9m nas situa\u00e7\u00f5es fortuitas, que nos mant\u00e9m soci\u00e1veis e com princ\u00edpios de exist\u00eancia. Sem lei, o caos institucional, em todas as nuances da sociedade moderna, seria indescrit\u00edvel. Mas o fato \u00e9 que nem sempre nos julgamos capazes de tomar as decis\u00f5es, sejam as mais dif\u00edceis ou as mais f\u00e1ceis, quanto mais aquelas que nos s\u00e3o de total desconhecimento de causa. E, convenhamos, um pecador condenar outro pecador, me responda de forma precisa, qual dos dois se salvaria? A vida nos conduz por caminhos impens\u00e1veis. Todos os percal\u00e7os nos levam a muitas dificuldades e poucas vezes vemos a alegria espont\u00e2nea despertar, em meio aos muitos sofrimentos que a pr\u00f3pria vida nos oferece. \u00c9 sempre ou quase certo que vamos nos defrontar com conceitua\u00e7\u00f5es dessa natureza e que nos levam a momentos de julgamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, eu olho para B\u00edblia e me pergunto: quem eu declararia culpado diante do pal\u00e1cio no tempo da p\u00e1scoa, bem perto do ano 30 da era crist\u00e3? Culparia Pilatos, o Sacerdote ou o povo que julgou de maneira incisiva, com grito solto na garganta de \u201cmate-O\u201d? Ao olhar para o sacerdote, vejo que a sua omiss\u00e3o, quando de um inocente \u00e0 sua frente, o torna t\u00e3o culpado quanto o povo. Se pensar em Pilatos, n\u00e3o o veria diferente. Lavar as m\u00e3os, convenhamos, \u00e9 muitos simples. O sacerdote quer se justificar nas leis do templo, Pilatos nas leis de Roma, mas tanto o sacerdote quanto o governador estavam sujeitos \u00e0s leis romanas e, no entanto, \u00e9 o povo que se det\u00e9m a gritar o alarido fatal. Seria esse grito baseado naquilo que ouviram das autoridades, sem sequer questionar ou, talvez, por algum benef\u00edcio il\u00edcito que lhes fora prometido? Ser\u00e1 que realmente a culpa \u00e9 destes? \u00c9 interessante como, para alguns, fica simples julgar a hist\u00f3ria, depois dos fatos narrados pelos que presenciaram essa \u201cpena capital\u201d dos decretos divinos. Mas, se esses que julgam estivessem em cena naquele momento, que decis\u00e3o tomariam?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-rounded\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/court-2328931_1280-1024x683.jpg\" alt=\"court-2328931_1280\" class=\"wp-image-1471\" srcset=\"https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/court-2328931_1280-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/court-2328931_1280-300x200.jpg 300w, https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/court-2328931_1280-768x512.jpg 768w, https:\/\/ipaguasvivas.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/court-2328931_1280.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Dadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, quanto ao tempo, aos meios existentes de imposi\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o, ter\u00edamos que discorrer sobre uma dezena de possibilidades, por\u00e9m quero me limitar a algumas circunst\u00e2ncias religiosas, afinal de contas, n\u00f3s, os crist\u00e3os, em tese, somos religiosos, e eles, os que vivenciaram o momento capital, ao que parece, seguiram seus princ\u00edpios religiosos. Um segue uma lei r\u00edgida, que talvez ele mesmo n\u00e3o conseguisse cumprir \u00e0 risca, o outro, em meio a tantos deuses, no momento crucial de uma senten\u00e7a de tamanha grandeza, n\u00e3o sabia a qual lei ou a quem recorrer. E o povo, massa de manobra, se v\u00ea em meio ao jugo pesado da lei sacerdotal e da imposi\u00e7\u00e3o romana. Talvez, por isso, tendo que ser conivente com a artimanha das mentes mais \u201cbrilhantes,\u201d por\u00e9m perniciosas e intransigentes, n\u00e3o quero fugir da minha responsabilidade. Ent\u00e3o, quem eu e voc\u00ea condenar\u00edamos? Ser\u00e1 que ir\u00edamos dirigir nossa l\u00edngua afiada com maestria condenat\u00f3ria? At\u00e9 aqui, me vejo incapaz, digo incapaz, e n\u00e3o em cima do muro, para responder prontamente a essa pergunta, para tanto preciso prosseguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Sigamos e pensemos, voc\u00ea e eu: se nossa decis\u00e3o fosse favor\u00e1vel \u00e0 lei, e a puni\u00e7\u00e3o da nossa caneta condenasse um ser inocente, como ficaria nossa consci\u00eancia? Qual de n\u00f3s levantaria a m\u00e3o para absolver o inocente e condenar o sacerdote. Ou, sumariamente, dever\u00edamos condenar o povo? Ainda hoje existe um ditado muito popular que afirma ser \u201ca voz do povo a voz de Deus\u201d, contudo, a hist\u00f3ria vai mostrar, em muitos acontecimentos, que essa m\u00e1xima nem sempre funciona. Acredito, inclusive, que j\u00e1 falhou muitas vezes na hist\u00f3ria e, no caso dessa condena\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica, certamente errou em cheio. Sen\u00e3o vejamos, visto que o r\u00e9u atende a um princ\u00edpio diferente de tudo o que j\u00e1 existiu. Ele \u00e9 r\u00e9u de fato, ou foi por imposi\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es impessoais e contradit\u00f3rias, que visavam a interesses escusos e pessoais, que ele estava em tal situa\u00e7\u00e3o? Este r\u00e9u declarou sua culpabilidade? Nesse caso, seu hist\u00f3rico contradiz muitos dos que o condenam, pois que, qual r\u00e9u ajudaria um necessitado de p\u00e3o? Qual r\u00e9u sempre fez o bem? Qual r\u00e9u cuida do pai, quando o filho afortunado e ganancioso sai de casa? Qual r\u00e9u oferece comida a uma multid\u00e3o que estava \u00e0 m\u00edngua? Qual r\u00e9u mata a sede do sedento de alma? Qual r\u00e9u faria um cego ver, um surdo andar, um morto ressuscitar? Imagina quantos pais vivenciaram uma grande alegria, ap\u00f3s passarem por uma tristeza que alagava seus cora\u00e7\u00f5es, ao verem seus filhos com as mentes perturbadas por possess\u00f5es descabidas, sem contar os mais variados tipos de perturba\u00e7\u00f5es inescrupulosas, e, enfim, sorrirem, ao v\u00ea-los libertos, uma vez que suas almas n\u00e3o estavam mais cativas ao jugo imperdo\u00e1vel do mal.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei se voc\u00eas concordam, mas \u00e9 muito f\u00e1cil usar a lei, quando dela queremos nos beneficiar. Seriam as pessoas detentoras do poder cru\u00e9is a tal ponto? Seriam os poderosos implac\u00e1veis ao ponto de se esconderem na lei e condenar para se beneficiarem? Seriam os poderosos capazes que elaborarem uma lei e torn\u00e1-la injusta ao povo? Eu tenho muita dificuldade de condenar aquele povo, mas tenho uma tend\u00eancia pecaminosa de condenar os sacerdotes e os governantes. N\u00e3o penso assim por achar que, em tudo, eram inocentes, certamente n\u00e3o eram. Pois veja, esse povo s\u00f3 queria seguir o r\u00e9u quando tinha sede de \u00e1gua e fome de p\u00e3o; mas uma vez saciados, se tornaram aptos a conden\u00e1-lo. Quem os saciou, a lei, o sacerdote ou o governador? Que decis\u00e3o voc\u00ea tomaria? Pense que, sendo voc\u00ea aquele povo, mandaria crucificar o inocente ou soltaria o pervertido? Qual seria a decis\u00e3o mais certa do povo naquele instante crucial da hist\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea fosse o sacerdote e tivesse que, por circunst\u00e2ncia do of\u00edcio, obedecer \u00e0 lei, teria a capacidade de ir contra aquilo que a lei condena? Ou seja, n\u00e3o consigo ficar inerte sem me condenar. Se voc\u00ea fosse o governador, o que voc\u00ea faria, seguiria a voz do povo ou obedeceria \u00e0 sua consci\u00eancia? Ouviria a sua esposa ou simplesmente lavaria as m\u00e3os? Convenhamos, todas as tr\u00eas decis\u00f5es s\u00e3o extremamente dif\u00edceis, porque elas envolvem aquilo que mais persegue o humano durante a exist\u00eancia do ser, qual seja, a nossa consci\u00eancia. Como deve ter ficado a consci\u00eancia do sacerdote diante do erro cometido? Por ficar alheio \u00e0 causa de um inocente, como ficou a consci\u00eancia do governador, que lavou as m\u00e3os, fez vistas grossas e n\u00e3o deu ouvidos \u00e0 pessoa mais pr\u00f3xima? Pessoa essa em quem, talvez, ele confiasse mais do que nos seus conselheiros pr\u00f3ximos. Mas, ao fechar seus ouvidos a quem quer que lhe tenha chamado a aten\u00e7\u00e3o para a possibilidade do erro, e certamente influenciado pelo decreto Divino, ele deixou o inocente ser morto.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, tamb\u00e9m tenho opini\u00e3o, e acredito, afora a certeza da determina\u00e7\u00e3o Celeste, que, para eles, em suas posi\u00e7\u00f5es, tenham feito o que julgaram ser o melhor. Mas pensaram no bem comum ou cada um quis ficar bem, com sua posi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o creio que realizaram o que de melhor poderiam fazer, visto que n\u00e3o se posicionaram e seguiram a seus pr\u00f3prios interesses. N\u00e3o pensaram no povo, cuidaram apenas da posi\u00e7\u00e3o e do cargo que exerciam. Ah, mas certamente eles n\u00e3o tinham, acredito, qualquer no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia desse ato para a hist\u00f3ria. Em meio a esses homens de posi\u00e7\u00e3o definida na sociedade \u00e0 \u00e9poca, pensemos ainda em como ficou a consci\u00eancia daquelas pessoas que, em voz aud\u00edvel, gritaram uma frase, numa \u00fanica palavra que, como cola, gruda at\u00e9 hoje em nossa mente: \u201cCrucifica-O! Crucifica-O!\u201d. Como aquelas pessoas conseguiram dormir naquela noite? E n\u00e3o era uma noite qualquer, foi a noite em que um inocente morreu, porque se cumpriu a lei. E a consci\u00eancia do que lavou as m\u00e3os, ser\u00e1 que ele dormiu? E o povo que seguiu seu cruel caminho de obedecer sem consultar? Em meio a tantas hip\u00f3teses que rotineiramente nos s\u00e3o apresentadas, quem \u00e9 que dentre n\u00f3s n\u00e3o vai desculpar o presidente, o procurador ou o juiz? Ou qual desses voc\u00ea condenaria?<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do acima exposto e das quest\u00f5es propostas neste texto, em que pese a sua posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel, transporte-se para a posi\u00e7\u00e3o do governador, e tamb\u00e9m para a condi\u00e7\u00e3o do sacerdote, ou quem sabe, voc\u00ea se julgue estar entre o povo. Gostaria muito de estender essas quest\u00f5es e ouvir tudo que voc\u00ea teria a dizer, ao se colocar em qualquer uma dessas posi\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, n\u00e3o quero me delongar mais. Minha percep\u00e7\u00e3o do texto, a meu ver, \u00e9 bem simples, <strong>e desejo que ele te leve a pensar comigo e reconhecer como \u00e9 dif\u00edcil um pecador julgar outro pecador<\/strong>. <strong>Como \u00e9 dif\u00edcil crucificar algu\u00e9m. E como \u00e9 dif\u00edcil condenar algu\u00e9m.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seu cargo seja importante. Talvez suas decis\u00f5es envolvam vidas. Talvez a fun\u00e7\u00e3o que voc\u00ea ocupa o obrigue a agradar uns e desagradar a outros; s\u00f3 isso j\u00e1 seria penoso demais. Qual de n\u00f3s poder\u00edamos criticar, condenar e levar \u00e0 sepultura um ser que Deus criou? Somos chamados a Cristo, e Jesus te convida \u00e0 liberdade. Jesus nos chamou ao servi\u00e7o da liberdade. Em Jesus, somos livres das trevas, libertos do caminho vexat\u00f3rio e de uma vida de opress\u00e3o. Em Jesus, somos livres do inferno. Em Cristo, ressuscitamos livres das a\u00e7\u00f5es demon\u00edacas que tornam nossos pecados contumazes. Deus nos concede liberdade em Jesus e, por isso, somos livres daqueles que querem, a todo custo, intentar o mal contra n\u00f3s. Em Deus, podemos, com certeza, fazer o melhor do nosso talento. Em Deus, seguramente, podemos tomar a melhor decis\u00e3o, independente de qual seja a circunst\u00e2ncia, mesmo sendo pecadores. Em Deus, certamente, podemos dormir com a consci\u00eancia tranquila. Toda decis\u00e3o pautada nos princ\u00edpios de Deus, nos Seus mandamentos, vai nos deixar livres e com boa consci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Que nosso cora\u00e7\u00e3o seja voltado para Deus, pois, unidos a Ele, em Jesus, podemos viver na certeza de que n\u00e3o somos influenciados pelo pecado; de que n\u00e3o seremos levados pela maioria corrupt\u00edvel, muito menos por uma decis\u00e3o legalista, que mostra os sentimentos pecaminosos nas pessoas. Por certo, em Deus, qualquer decis\u00e3o tomada ser\u00e1 a mais assertiva. Ser\u00e1 que tal decis\u00e3o vai beneficiar a maioria? Ela n\u00e3o vai contrapor os princ\u00edpios de moralidades das Escrituras? Meu conselho: cuidado com as m\u00e1s influ\u00eancias. Decida-se por decidir com Deus; decida-se por decidir em Deus. N\u00e3o tome nenhuma decis\u00e3o, por mais simples que seja, longe de Deus e do Seu direcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Conquanto lembre-se: A DECIS\u00c3O \u00c9 SUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Deus os aben\u00e7oe! Am\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><em>Reverendo Arlei C. Gon\u00e7alves<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cBem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia\u201d Mateus 5:7 Ent\u00e3o, de quem \u00e9 a culpa? Do procurador, do juiz ou do presidente? Recentemente, tivemos a not\u00edcia de que um procurador da Rep\u00fablica \u2013 chefe de uma opera\u00e7\u00e3o que surgiu com intuito de, com rapidez, eliminar muitas pessoas que estavam promovendo desvios a seu bel prazer, e tratando o Pa\u00eds de maneira perniciosa \u2013 pediu demiss\u00e3o. S\u00f3 para constar, no relato&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":1468,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"slim_seo":{"title":"Entre muitos questionamentos, quem seria o culpado? Voc\u00ea \u00e9 o juiz, voc\u00ea decide! - Igreja Presbiteriana \u00c1guas Vivas","description":"\u201cBem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia\u201d Mateus 5:7 Ent\u00e3o, de quem \u00e9 a culpa? 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